Cardeal Parolin defende regulação da Inteligência Artificial para promover justiça
O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, afirmou que o direito deve atuar como um instrumento para governar a Inteligência Artificial, com o objetivo de eliminar desigualdades e garantir a justiça social. A declaração foi feita durante a abertura das comemorações dos 150 anos da Faculdade de Direito Canônico da Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma.
Ao refletir sobre a encíclica Magnifica humanitas, o purpurado ressaltou que as inovações tecnológicas não são neutras. Segundo Parolin, tais avanços podem tanto ampliar a participação e a justiça quanto aumentar o controle, a exclusão e as desigualdades. Por isso, ele defendeu que os desenvolvedores assumam um peso ético especial para assegurar que as infraestruturas digitais protejam os mais frágeis.
O cardeal alertou para o risco de a tecnologia se separar de fundamentos éticos e morais. Ele questionou qual espaço restaria para a norma jurídica caso a técnica, em nome da eficiência, substitua o julgamento humano. Para o secretário de Estado, o direito só se legitima se for capaz de garantir a liberdade e a relação entre as pessoas, evitando que a automação esvazie a justiça substancial.
Parolin também destacou a importância de aplicar princípios da Doutrina Social da Igreja, como a subsidiariedade e a solidariedade, para orientar o uso das novas tecnologias. O objetivo, segundo o cardeal, é construir uma "civilização do amor" que se oponha à "cultura do poder", onde o poder tecnológico, muitas vezes privado e transnacional, torna-se difícil de discernir e orientar para o bem comum.
Por fim, o cardeal enfatizou que a diplomacia e o direito devem trabalhar para fomentar a confiança e o respeito mútuo. Ele sublinhou a necessidade de elaborar regras que permitam gerenciar o fenômeno da Inteligência Artificial, garantindo que ela sirva para construir uma família humana universal, onde a proximidade digital se transforme em uma oportunidade real de encontro e cuidado.
