Conselho Permanente da CNBB analisa pesquisa sobre impactos do cárcere nas famílias
O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) recebeu, nesta quarta-feira, 21 de outubro, em Brasília, a apresentação da pesquisa inédita intitulada A Pena Sem Sentença. O levantamento, realizado pela Pastoral Carcerária Nacional em parceria com a Assessoria Popular Maria Felipa, detalha os impactos sociais, emocionais e econômicos do encarceramento sobre as famílias brasileiras.
A coordenadora nacional da Pastoral Carcerária, irmã Petra Silvia Pfaller, enfatizou que o estudo é fundamental para dar visibilidade ao sofrimento dessas famílias e orientar novas ações da Igreja. A religiosa destacou a necessidade de acolhimento nas comunidades eclesiais e o fortalecimento do diálogo com as autoridades do sistema prisional, mencionando o papel relevante de grupos de apoio, como o de mães que oram pelos filhos.
Os dados apresentados pela pesquisadora Isabela Corby revelam que 94,1% das pessoas que oferecem suporte aos detentos são mulheres. Além disso, 58,9% dos familiares relataram ter sofrido situações de violência, constrangimento ou humilhação durante as visitas. O impacto financeiro também é expressivo: o custo médio mensal para uma família que realiza visitas semanais chega a R$ 1.053,09, totalizando um gasto nacional anual de cerca de R$ 4,33 bilhões, o que compromete o orçamento básico desses lares.
Representantes da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) acompanharam a exposição, que defende medidas para garantir condições dignas de visitação e o combate a práticas de revista vexatória. O bispo referencial da Pastoral Carcerária, dom Henrique Aparecido de Lima, reforçou que a pesquisa reflete a realidade diária de deslocamentos e dificuldades enfrentadas pelos familiares.
O presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler, manifestou preocupação com as condições do sistema prisional e os obstáculos para a assistência religiosa. O cardeal defendeu uma revisão das condições de encarceramento no país e sugeriu a possibilidade de uma futura Campanha da Fraternidade dedicada a esta temática. O estudo visa subsidiar políticas públicas e contribuir para a implementação do Plano Pena Justa.
